DOMINGO, 19 DE AGOSTO DE 2018
Publicada dia: 22/05/2018

Como seria ter 6 dedos na mão?

Fonte: Megacurioso

Biólogos não sabem o motivo, mas humanos e grande parte dos mamíferos com quatro membros possuem 5 dedos. Você já pensou se existiriam vantagens em possuir um dedo a mais? Será que você transformaria você num prodígio do piano? Ou seria o rei do artesanato, tecendo tramas numa velocidade inimaginável?

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Talvez a inclusão de mais um dedo proporcionaria um aperto de mão mais firme, mas ele seria dispensável se considerarmos a coordenação motora fina. Segundo o geneticista da Escola Médica de Harvard, Cliff Tabin, “nossa destreza com as mãos se deve principalmente à combinação no uso dos dedos indicador e polegar, e por isso um dedo extra não faria muita diferença nesse sentido”.

Você sabe contar até 12?

Considerando habilidades motoras, cinco dedos parecem ser suficientes, mas em relação à nossa forma de contar? Nosso sistema numérico é o decimal, pois se baseia no uso de 10 algarismos para representar todos os números. Isso parece um tanto quanto óbvio, mas nossos 10 dedos tornam o aprendizado desse sistema algo muito natural.

Segundo Tabin, se nossas mãos tivessem 6 dedos cada, provavelmente trabalharíamos com um sistema númerico de base 12, exatamente por ser algo mais fácil de se aprender. Esse pensamento é compartilhado também com Mark Changizi, que escreveu um livro intitulado “The Vision Revolution”, onde defende a ideia de que matemática, línguas e até música se desenvolveram a partir do momento em que parecem mais naturais.

Pequenos detalhes da nossa rotina, como o formato das letras, passaram por grandes transformações até chegarem ao ponto como são hoje. Segundo ele, essas modificações procuram sempre tornar tudo o mais próximo possível do que é encontrado na natureza. Assim, utilizar a base 10 como sistema numérico é algo natural para nós, pois faz parte da nossa própria natureza.

Polidactilia

Algumas pessoas nascem com 6 dedos, e isso é algo considerado um erro genético que não gera grandes problemas nem vantagens para a pessoa. Por isso, de um ponto de vista evolutivo, possuir um dedo duplicado é algo irrelevante. Segundo Tabin, para um dedo extra ser vantajoso em humanos, precisaria ser algo parecido com um polegar a mais, semelhante ao que existe em ursos panda. Eles possuem uma protuberância no lado contrário do polegar, como uma extensão do osso do pulso, que os auxilia durante a alimentação prioritária de bambu.

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Segundo Changizi, e sua ideia de que tudo se direciona para a natureza, nós nunca teremos um sexto dedo. Ele desenvolveu uma teoria explicando o motivo de termos cinco dedos nas mãos, que chamou de “regra dos membros”.

Usando como referência uma regra utilizada para determinar o número de nós em redes de computadores, ele calculou o número ideal de membros que um corpo precisa para interagir com o mundo exterior, baseado no seu tamanho. Segundo ele, quando os membros são muito maiores que o corpo, o número ideal é seis (considere insetos nesse caso). Já quando os membros são muito pequenos, o número deles cresce muito (centopéia). Usando a mesma lógica, ele diz que os dedos podem ser imaginados como membros da mão, e considerando essa proporção o número ideal de “membros” seriam os cinco dedos que possuímos.

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Já Frank Wilson, neurologista aposentado, que tem sido uma das principais referências em pesquisas da relação entre cérebro e mão por décadas, diz que cinco dedos são o limite. Segundo ele, o desenvolvimento de próteses modernas têm mostrado que com o uso de menos dedos elas se saem tão bem quanto com 5. Ele diz que “nosso número de dedos provavelmente é incidental, como desenvolvedores de próteses estão descobrindo. Então, antes de uma mão com 6 dedos, eu preferiria uma com 4”.