SEGUNDA FEIRA, 12 DE NOVEMBRO DE 2018
Publicada dia: 15/06/2018

Polêmica: divulgados comentários racistas feitos por Einstein em seu diário

Fonte: megacurioso.com.br

Uma das figuras mais emblemáticas e queridas da Ciênciaé, sem dúvida, o físico alemão Albert Einstein. Além de ser lembrado por suas teorias — sendo as mais famosas delas a Teoria da Relatividade Geral e a Teoria Especial da Relatividade —, o gênio também ficou conhecido por seu ativismo político e por seu envolvimento na luta pela igualdade de direitos civis entre brancos e negros nos EUA, país que ele adotou como lar.

Diário particular

Contudo, a divulgação de uma tradução de um antigo diário de viagem de Einstein surpreendeu todo mundo por conter anotações xenofóbicas. Mais especificamente, o conteúdo foi produzido durante uma viagem do físico ao Japão, China, Índia e Sri Lanka, que ocorreu entre outubro de 1922 e março de 1923, e apesar de o texto em alemão ter sido disponibilizado ao público há bastante tempo, foi só recentemente que ele recebeu uma tradução para o inglês.

Albert Einstein

(Wikimedia Commons/Underwood and Underwood/Domínio Público)

 

De acordo com Rafi Letzer, do site Live Science, Einstein escreveu em seu diário quando já tinha 40 e poucos anos e já tinha recebido o Nobel por suas pesquisas sobre o efeito fotoelétrico. Nas notas, segundo a tradução, o físico se refere à China como uma “nação peculiar, com cara de rebanho” onde a população “mais parecida com autômatos”, descrevendo, ainda, os chineses como “pessoas industriosas, imundas e obtusas”.

Além disso, Einstein comenta, ainda, que “mesmo os que são forçados a trabalhar como cavalos nunca dão a impressão de sofrimento consciente” e confessa que notou que “há pouca diferença entre homens e mulheres”, e que não entendia “que tipo de atração fatal as mulheres chinesas possuem que encantam os homens” ao ponto de torna-los “incapazes de se defender contra a bênção formidável de sua prole”.

E o cientista inclusive formulou suas impressões sobre as crianças chinesas, falando delas como sendo “sem espírito e obtusas” e comentando que seria “uma pena se os chineses suplantassem todas as demais raças”.

Mais impressões

Apesar de a população da China ter sido a que mais recebeu críticas do físico, ele também tinha comentários sobre outros países, como o Ceilão — sobre o qual ele escreveu que a população convivia “com uma grande imundície e considerável fedor no chão”, adicionando que se tratava de um povo que “faz pouco e precisa de pouco”.

Albert Einstein(Wikimedia Commons/Orren Jack Turner/Domínio Público)

Einstein também não teve uma boa primeira impressão do povo egípcio, uma vez que escreveu em seu diário que se deparou por lá com “levantinos de todas as tonalidades, como se tivessem sido vomitados do inferno”. Tenso, né? Especialmente se considerarmos que o físico era muito público sobre sua luta antirracista e sobre como achava absurda a segregação racial, e costumava dizer que pensava que a xenofobia era uma doença dos brancos.

Vale destacar que essas impressões todas, embora xenófobas e contundentes, foram escritas no diário pessoal de Einstein — um caderninho que o físico provavelmente pensou que jamais seria exposto ao público. De qualquer forma, a publicação da tradução lança uma sombra sobre a reputação do amado cientista e, sem dúvida, é bastante polêmica.